quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O BANDO COR-DE-ROSA

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Passo Coelho sugeriu – não sei se a sério, se para indígena ouvir – que os políticos fossem responsabilizados, civil e criminalmente, pelas decisões que tomam e que se revelem lesivas para a economia do país. Estou de acordo. Quem não está, claro, é o Partido Socialista. São muitas – e grandes – as suas culpas no cartório. O PS é o principal responsável – embora não seja o único – pela situação trágica de milhões de portugueses, pelo descalabro financeiro, social e moral do país. Muita gente ficou na miséria em virtude das suas criminosas políticas, que mais não visavam que reconstituir os grandes grupos económicos desaparecidos com o 25 de Abril, à custa dos bolsos – do estômago e da saúde – dos portugueses. Morreu gente em consequência, directa ou indirecta, dessas políticas, que não aconteceram por ignorância ou descuido, mas por consciente opção ideológica. De classe.

Se os dias que correm têm alguma virtude, é permitir que assistamos, às claras e sem margem para dúvidas, ao saque desbragado dos salários e pensões, enquanto se deixam incólumes os lucros fabulosos dos grandes accionistas de empresas que, devido ao que facturam aos portugueses, atingem verbas astronómicas. Para o PS – e, convenhamos, para o PSD e para o CDS/PP – os lucros dos grandes accionistas são legítimos e sagrados, por isso são intocáveis, mas os salários e as pensões nada terão de legítimos, sagrados e, consequentemente, de intocáveis. Não estamos, neste caso concreto, perante uma chapada imbecilidade – embora pareça. Estamos, isso sim, perante uma consciente e claríssima decisão política, (opção ideológica não confessada aos portugueses aquando das campanhas eleitorais) tomada em favor dos muito ricos e, naturalmente, à custa dos pobres e remediados.

Não tenho dúvidas. Esta gente deve ser responsabilizada pelos resultados das suas opções, pelo sofrimento que provocam em milhões de portugueses, pelas consequências que a miséria produz a todos os níveis – a criminalidade e a violência são, apenas, duas delas – pelas mortes que de tudo isto resultam. Não nos podemos esquecer que, em Portugal, se morre por falta de assistência médica e medicamentosa, por desnutrição, e que o abandono e a desesperança levam muitos ao suicídio. O desmoronamento da coesão social desfaz, literalmente, o país. Aos jovens resta a casa dos pais e trabalhos de ocasião, temporários e mal pagos. Constituir família deixou de ser um objectivo. Ter filhos, é uma miragem perigosa. Portugal já não é um beco sem saída. É, para quem não pode emigrar, um autêntico gueto.

Suponho que Passos Coelho não falou a sério, não fosse acontecer ir à lã e sair tosquiado. Mas, mesmo assim, o PS deixou claro o seu pânico perante tal hipótese. O medo de ser responsabilizado pelos seus crimes – e são muitos – tira o sono ao bando cor-de-rosa.

Para mim, já seria bom que os portugueses se lembrassem que o PS é o partido dos Abílios Curtos, dos Melancias, das Fátimas Felgueiras e dos Monterrosos. É o partido dos Varas, Pedrosos, Rittos, Ricardos Rodrigues e Sócrates. E dos Soares, claro. É o partido da UNI, do Aeroporto de Macau, do Freeport, da Face Oculta e do Magalhães. É o partido das Fundações e dos boys e das girls às paletes. Assemelha-se – caso não seja – a um bando de malfeitores.

Mas é este PS, que obrigou a magistratura e os funcionários públicos a sujeitarem-se ao peso da responsabilidade civil, levando-os ao pagamento de enormes indemnizações em casos de queixas que os responsabilizem, que diz que só aceita pagar os seus crimes com votos.

Pudera! Eles sabem que o que disse Guerra Junqueiro, há 114 anos, continua válido: Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas.

Com um povo assim, a malandragem canta de galo.



(João Carlos Pereira)


Crónica lida nas “Provocações” da Rádio Baía em 10/11/2010.
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