quarta-feira, 20 de outubro de 2010

ENCOSTÁ-LOS À PAREDE

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O ministro da Cultura sueco foi visitar um filho que estuda nos Estados Unidos e, durante a visita, pagou uma pequena despesa com o cartão de crédito que tem para gastos oficiais. Quando o facto foi detectado, o ministro foi demitido.

A Takargo, uma empresa transportadora do Grupo Mota-Engil, onde pontifica o socialista Jorge Coelho, beneficia, desde a sua fundação, há mais de um ano, da isenção do imposto sobre produtos petrolíferos, o que lesa o Estado em cerca de 200 mil euros por ano. É a única empresa transportadora privada a beneficiar desta isenção. Até agora, ninguém foi demitido ou preso. Nem vai ser.

O senhor André Figueiredo, chefe de gabinete do senhor Sócrates, ofereceu ao senhor deputado socialista, Victor Baptista, um lugar na administração de uma empresa de capitais públicos, à escolha do felizardo: CP, Refer ou Metro. O vencimento seria de 15.000 euros mensais. O deputado recusou a oferta que, segundo ele, visava retirá-lo da corrida à presidência da Federação do PS, em Coimbra, em favor de um benjamim de Sócrates. Até agora, ninguém foi demitido ou preso. Nem vai ser.

A senhora dona Mara Mesquita Carvalho Fava, irmã de Sofia Fava (ex-mulher de José Sócrates), foi admitida nos quadros da EPAL – outra empresa pública – como trabalhadora precária. Na empresa, ninguém sabia o que a senhora fazia. Apenas que era vista por lá. De repente, ei-la promovida a assessora da administração, com um salário mensal bruto de 2.103 euros, acrescido de 21,5% do ordenado, por isenção de horário de trabalho. Até agora, ninguém foi demitido ou preso. Nem vai ser.

O senhor Carlos Filipe Oliveira, de 61 anos, saiu do Governo, onde era assessor do então ministro do Ambiente, Nunes Correia, e ingressou na mesma EPAL. Ninguém sabe o que está ali a fazer. O que se sabe é que aufere um salário altíssimo e que raramente lá põe os pés. Até agora, ninguém foi demitido ou preso. Nem vai ser.

O senhor Paulo Campos, que era assessor do Secretário de Estado das Obras Públicas (ministério que tutela a gestão das auto-estradas nacionais), deixou o cargo para ser administrador executivo da empresa que gere o sistema de pagamentos nas auto-estradas. Isto é: saiu do governo que decidiu impor portagens nas SCUTs, para gerir uma empresa que fornece os equipamentos electrónicos que foram instalados nessas portagens, e os respectivos chips. Até agora, ninguém foi demitido ou preso. Nem vai ser.

Porque as coisas são assim – e assim se desbaratam os dinheiros públicos – os portugueses sérios, que trabalham no duro para receberem os mais baixos salários que se pagam na Europa, vão receber ainda menos no fim de cada mês, a juntar ao aumento brutal de impostos. Os reformados, que recebem as mais baixas pensões da Europa, irão ver essas pensões ainda mais reduzidas.

Em consequência, mais miséria, mais fome, mais privações, mais desemprego, mais falências, mais insegurança, menos saúde, menos vida, pior vida.

E ninguém se demite. E ninguém é preso. Nem encostado à parede.

Mas é preciso encostá-los.


(João Carlos Pereira)


Crónica lida nas “Provocações” da Rádio Baía em 20/10/2010.
Não deixe de ouvir em 98.7 Mhz e participar pelos telefones 212277046 ou 212277047 todas as quartas-feiras entre as 09H00 e as 10H00.

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2 comentários:

Associação Portuguesa José Marti disse...

BLOQUEIO A CUBA
Para se compreender melhor este assunto realiza-se amanhã, sexta-feira, dia 22 de Outubro pelas 21 horas, um Encontro no Centro Cultural e Desportivo das Paivas, promovido pela Associação Portuguesa José Marti, contando com a presença do Senhor Embaixador de Cuba, sendo a participação aberta a toda a população que deseje conhecer melhor as dificuldades impostas a Cuba por um bloqueio injusto, cruel e criminoso.

Sopro leve disse...

O Mário Lino é que passou despercebido, no seu novo tacho...